A literatura cristã comporta uma gama de opções que atende a todos os gostos dos leitores. Desde a teologia sistemática até a biografia de grandes nomes revolucionários da fé, o que não falta é assunto para os que buscam entretenimento e conhecimento por meio de obras literárias.

Atualmente, os livros mais pedidos do segmento cristão são relacionados a testemunhos impactantes, crescimento espiritual e desenvolvimento pessoal. De acordo com um levantamento feito com base nos rankings da Amazon, da Livraria Família Cristã e do Submarino, os três livros mais vendidos no Brasil para este público em 2020 foram: “Mais Esperto que o Diabo”, de Napoleon Hill; “Minha vida – uma chama”, de Robson Rodovalho; e “Uma vida com propósitos”, de Rick Warren.

Além da Bíblia, que não foi considerada nessa lista porque segue liderando como o livro mais comercializado de todos os tempos, autores como C.S Lewis, Tiago Brunet, Willian Douglas, dentre outros, compõem o topo das compras.

Tentando fugir desse padrão literário que tomou conta do cenário cristão, o escritor Anderson Conceição tem mostrado uma abordagem diferente desde o ano passado. O romance intitulado “Missão Rondônia: o mistério da aldeia Cabixi” é a sua primeira obra literária e expõe temas que fazem parte dos problemas sociais do país.

Anderson conceição em frente ao banner do seu livro
Foto: divulgação

Entre assuntos como a cultura indígena, corrupção e tráfico de mulheres, a trama se passa em uma comunidade indígena antiga de Rondônia. É dessa aldeia que surgiu a atual cidade de Cabixi no estado. O cenário é descrito por Anderson de uma forma que envolve o leitor a refletir sobre conflitos sociais por uma ótica espiritual.

O baiano, de 32 anos, disse à Revista Cristã que escreve poemas e reflexões desde os doze. Morando em Mogi das Cruzes, São Paulo, Anderson é formado em Farmácia e trabalha na prefeitura da cidade de Poá.

Com 21 anos de cristianismo, a influência da sua vida adulta vem da prática da leitura da Bíblia e de histórias em quadrinhos durante a infância. Na adolescência não foi diferente, quando Anderson teve a oportunidade de ler os livros “Este Mundo Tenebroso” e “O Peregrino” (clássicos cristãos) se apaixonou por obras de suspense e aventura cristã.

Na sinopse do seu romance, o escritor destaca o que o leitor vai encontrar nas páginas do livro. O personagem principal é o jovem Thomas, um brasileiro que retorna ao país para investigar a verdade sobre a morte de seu pai, um missionário americano chamado Adam Silverstone. A trama ganha forma quando Thomas se depara com o misterioso desaparecimento de jovens índias da tribo.

“Com a ajuda de Júlia e de seus novos amigos, Thomas terá que lutar para que a verdade e a ordem sejam restabelecidas na pequena cidade de Cabixi.

Constantes reviravoltas em meio às ameaças de poderosos, aliadas a um clima de romance, dão à história todos os ingredientes necessários para um mergulho na leitura”, encerra o resumo.

Lançado pela editora Dialética em julho de 2020, a literatura chamou a atenção de veículos de comunicação nacionais como o GShow, da Rede Globo, além do Jornal Extra de Rondônia. A Revista Cristã também não poderia deixar de dar destaque ao escritor, por isso convidamos Anderson para falar um pouco mais sobre seu início de carreira profissional na área, que começou em 2019.

RC: Como surgiu a ideia do livro “Missão Rondônia: o mistério da aldeia Cabixi”?
Anderson Conceição: Sempre fui apaixonado por histórias de suspense e aventura (não à toa, Sherlock Holmes é um dos meus personagens favoritos) e amante da obra missionária, logo tinha em mente contar uma história evangelística que fosse recheada destes dois itens. Como o tema indígena estava em evidência na época em que comecei a escrever o livro, resolvi adicioná-lo à ideia original.

RC: Como foi o processo de criação da obra?
Anderson: Como já tinha todo o enredo em mente, o mais difícil foi encontrar tempo para escrever, pois para finalizar uma obra dessa, a disciplina é muito importante. Todo o processo de escrita durou em torno de sete meses. O ponto mais importante foi a escolha do local onde se passaria a trama. A cidade de Cabixi foi eleita, pois o seu nome é em homenagem à extinta tribo do mesmo nome. Na trama, a tribo ganha vida novamente e um mito indígena é o ponto central de toda a história.

Anderson conceição escrevendo uma dedicatória em um dos seus livros
Foto: divulgação

RC: Quais foram os seus principais desafios durante esse processo?
Anderson: Como já comentado, o principal desafio foi padronizar um tempo para a escrita, pois já estava muito ocupado com o trabalho, a família e o ministério. Outro desafio importante foi a autocrítica, uma vez que era meu primeiro trabalho, me cobrava bastante e ficava temeroso quanto a aceitação do público, mas, graças a Deus, o livro foi muito bem aceito pelos leitores, inclusive os não cristãos.

RC: Sua família foi uma peça fundamental na escrita do livro. Como foi a participação dela?
Anderson: Ninguém sabia que eu estava escrevendo até completar metade do livro. Só após eu ver que realmente a história estava ganhando corpo é que contei para minha esposa, a Daiane. Ela ficou muito brava! Mas, depois que contei, ela se empolgou muito e até hoje, é minha principal incentivadora. Como disse, a autocrítica foi meu maior desafio, a partir do momento em que ela soube, a fiz ler umas dez vezes para encontrar erros e dar opinião (risos).

RC: Por que a mistura de assuntos tão complexos como a cultura indígena, corrupção e tráfico de mulheres, em apenas uma obra?
Anderson: Apesar de temas distintos e fortes, eles se casam muito bem no decorrer da história, pois são temas corriqueiros no dia a dia do brasileiro. Resolvi mostrá-los, através da ótica cristã, de uma maneira espiritual e gostosa de ler. Ainda no livro, falo sobre o charlatanismo e abuso da fé, que também são temas largamente debatidos na vida cristã.

RC: Como cristão, o que você gostaria de transmitir ao público a partir do seu livro?
Anderson: Apesar de temas bem marcantes, o livro é repleto de espiritualidade. Mostro que, mesmo com tantos problemas acontecendo em nosso país, Deus ainda tem o controle de todas as coisas. O livro também nos encoraja a ter uma vida de oração, pois ela é a base da vida cristã e só com ela superaremos todos estes revezes.

 

“Mesmo com tantos problemas acontecendo em nosso país, Deus ainda tem o controle de todas as coisas”.
Anderson Conceição

 

RC: Você tem um novo projeto em mente?
Anderson: No próximo mês farei parte, juntamente com mais 14 autores, de um devocional denominado “Diário de um adorador” (Editora doze2). Ainda este ano pretendo lançar um livro de autoajuda e estou finalizando a segunda parte do livro “Missão Rondônia”. Além disso, compartilho na minha página no Instagram vários poemas e textos que refletem sobre o cotidiano e a vida cristã. Vem muita coisa boa por aí!