Gerações de cristãos lutaram, ao longo da história, — e ainda lutam em alguns lugares do mundo — para garantir que todos aqueles que creem em Cristo pudessem professar sua fé livremente. Em países nos quais essa “tranquilidade” foi conquistada cedo, como muitos do ocidente, entretanto, vemos atualmente um movimento muito mais sutil do que as imposições e perseguições do passado, que tenta convencer a todos de que a fé é algo que deve permanecer na esfera privada.

Para quem, como nós, pertence a uma fé que estimula seus seguidores a viver em comunhão (Salmo 133:1) e que reconhece os benefícios de uma boa amizade (Provérbios 18:24), tal discurso de recorte de uma parte tão importante de nossa personalidade com um toque de individualismo deveria parecer estranha. Entretanto, não é isso que tem acontecido.

Uma pesquisa do Barna Group realizada com cristãos dos Estados Unidos, mostra que 56% deles acredita que a sua vida espiritual pertence somente a si, e não a outros.

Boa-vontade só no nome

Um dos motivos que podem estar motivando o crescimento desse percentual é que os argumentos de quem defende posições isolacionistas dos cristãos sempre vêm cobertos com uma camada de verniz de boa-vontade. 

São falas do tipo: “você não deveria ficar falando da sua fé no seu trabalho”, ou “religião e futebol não se discutem, assim todos ficam felizes” e “cristãos deveriam falar da sua fé dentro da igreja”. Aqui não é lugar para isso”. 

Estes argumentos envernizados, porém, servem apenas para tentar calar os cristãos e alijá-los de parte importante de seu conjunto de crenças e valores.

fé - 1 mulher falando enquanto duas outras a ouvem entediadas

Importante deixar claro, porém, que, de fato, é importante ter sabedoria para agir de acordo com o “código de posturas” de cada ambiente (ficar falando da fé em qualquer situação no seu ambiente de trabalho ao invés de trabalhar, pode despertar a ira do seu chefe e dos seus colegas, dando testemunho contrário, por exemplo), mas isso não quer dizer que não se deva falar em momento nenhum. É possível ser estratégico sem perder a noção. 

Algumas dicas para isso, são: estar sempre bem preparado, entendendo as bases da sua fé e sabendo como elas influenciam a sua vida; saber que tudo tem hora e lugar. Queremos ganhar as pessoas, não afastá-las de nós sendo “o chato”; adquirir a capacidade de “ler” o ambiente, entendendo com quem você está falando e o momento onde estão inseridos; fazer correlações (culturais, esportivas, familiares) que permitam que as pessoas compreendam a mensagem de maneira mais fácil.

Ainda, temos que entender que esse movimento de levar a fé unicamente para a esfera privada tem se tornado um traço cultural de nossa sociedade ocidental, o que acarreta diversos problemas para cada indivíduo.

Impactos na vida espiritual

Na mesma pesquisa, o Barna Group aponta que há outras tendências negativas para a vida espiritual dessa maioria que apontou estar de acordo com o fato de que a fé deve ser mantida em casa. Entre elas, estão:

  • Menor probabilidade de dizer que é muito importante ver progresso em sua vida espiritual;
  • Chance reduzida (em comparação a quem pensa que sua fé não é privada) de que digam que sua fé é muito importante em sua vida hoje;
  • Propensão a passar menos tempo semanal com Deus.

O relatório traz a análise destes pontos da seguinte maneira: “Em outras palavras, a ideia de que a fé deve ser mantida em sigilo é parte de um redemoinho maior de condições negativas que precisam ser abordadas para que as pessoas vejam o crescimento espiritual”.

Como é bom e agradável quando os irmãos convivem em união!

A Bíblia é ferrenha defensora da comunhão e deixa isso claro em diversas ocasiões. Há três trechos, porém, que demonstram a importância de se estar acompanhado.

No primeiro, lido em Eclesiastes 4, vemos que há muitas bênçãos no compartilhar da caminhada: “É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas. Se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que cai e não tem quem o ajude a levantar-se! E, se dois dormirem juntos, vão manter-se aquecidos. Como, porém, manter-se aquecido sozinho? Um homem sozinho pode ser vencido, mas dois conseguem defender-se. Um cordão de três dobras não se rompe com facilidade”.

O segundo, de II Coríntios 13, diz: “Procurem aperfeiçoar-se, exortem-se mutuamente, tenham um só pensamento, vivam em paz. E o Deus de amor e paz estará com vocês”. Este aperfeiçoamento só é possível quando há intimidade, parceria, liberdade para dizer verdades, enfim, coisas que apenas uma convivência prolongada proporciona.

Por fim, em Atos 2 lemos a história de Pentecostes e seus desenvolvimentos. Entre eles estava a maravilhosa dinâmica de comunhão que se formou entre as pessoas que vivenciaram o momento: “Os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum. Vendendo suas propriedades e bens, distribuíam a cada um conforme a sua necessidade. Todos os dias, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o pão em casa e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração, louvando a Deus e tendo a simpatia de todo o povo. E o Senhor lhes acrescentava diariamente os que iam sendo salvos”.  

Perceba que havia o partir do pão de maneira literal. Todos se saciavam e as comunidades não paravam de crescer, pois o Senhor enviava mais pessoas diariamente. Assim, que sejamos como aqueles primeiros Cristãos, vivendo com alegria e amor ao lado de nossos irmãos e irmãs, facilitando o caminho para que andem cada vez mais próximos a Cristo.