Você já ouviu falar de “Mandato Cultural, Social e Espiritual”? Talvez não ouviu especificamente esses termos considerados mais teológicos, mas com certeza, já leu e ouviu alguma mensagem sobre Gênesis 1:26 a 28.
Neste texto, ao criar o homem a Sua Imagem e semelhança, Deus compartilha de Sua autoridade e responsabilidade com o homem em relação à toda Sua criação e ordena que Adão, como representante da humanidade cuide, cultive, proteja e promova o que Ele criou.

Paralelo a esse chamado para zelar, como bons mordomos da criação e da cultura, nós, que lemos a Bíblia pelas lentes do Evangelho de Jesus Cristo, temos uma convocação para que anunciemos o Reino de Deus, anunciemos o Evangelho! Assim, o obedecemos quando pregamos a Palavra, o nascimento, a vida, a morte, a ressurreição de Cristo e a esperança de Salvação para aqueles que creem.

Bom, mas como podemos pensar todos esses conceitos sobre “Mandatos” e o “Ide”, atrelados ao fazer musical cristão?

Fato é que quem quer ser músico dentro do contexto da igreja, enfrenta muitos problemas! Principalmente quem sonha em viver unicamente de música! Infelizmente, nossas igrejas, em sua grande maioria, não têm condições de sustentar, promover um músico e reconhecer sua arte.

Creio que assim como eu, muitos idealizaram viver apenas tocando nos cultos, nos eventos da igreja e assim, dedicar a vida integralmente para a vida eclesiástica. Reflexos da ideia que podemos ser como os Levitas do Antigo Testamento. Salvo as exceções, a maioria se frustra por não conseguir viver dessa forma, até porque o tempo dos levitas ficou para trás.

A boa notícia é que o Mandato Cultural e o Ide de Jesus, ultrapassam os limites das quatro paredes e é essa compreensão de Reino que vai expandir as possibilidades de viver integralmente, não para a Instituição Igreja, cultos da semana e domingo – o que é importante e essencial na vida cristã – mas viver integralmente para o Reino de Deus, que admite uma interferência em todo o âmbito artístico do bairro, da cidade, estado e país onde se vive.

Essa compreensão está aquecendo meu coração nesses tempos, pois estou vivenciando, juntamente com um grupo grande de coristas cristãos de minha igreja e de outras igrejas/denominações, a oportunidade de cantar sobre o Reino de Deus em vários ambientes extra religiosos.

Ao recebermos um convite para participar de um encontro de corais regionais para apresentarmos uma cantata de natal, começamos a nos preparar, ensaiar, estudar as músicas, mas não fazíamos ideia do que nos aguardava.
A primeira grande experiência foi a de juntar os coros para os ensaios! Quanta troca de experiência! Que privilégio foi conhecer irmãos na fé de outras igrejas cristãs, quebrando as barreiras denominacionais.

músico cristão

Faço uma observação aqui: quem já trabalhou com o canto coral dentro da igreja, sabe o quão difícil é levantar um número considerável de pessoas para se realizar um bom trabalho. E foi a união desses grupos que deu força e ânimo, que influenciou diretamente no som que produzíamos – com muita beleza e significado.

A primeira apresentação desse grande coral aconteceu em uma praça, com apoio da prefeitura de uma cidade vizinha, e foi não só para mim, mas para todos os participantes uma noite memorável. Estávamos cantando sobre nossa fé em um ambiente público.

O que continuou nos surpreendendo foi que a partir dessa primeira apresentação, foco inicial de todo o projeto, surgiram outros convites, para cantarmos em outras igrejas, formaturas, inauguração de iluminação de natal em condomínio e outras praças públicas.

Neste momento em que escrevo a coluna, estamos nos preparando para as próximas apresentações e concluiremos esse ano apresentando a cantata de natal em nossas igrejas!

Que privilégio Deus nos deu! E o quanto Ele tem confirmado “os chamados” que tem para nós, Cristãos! De O louvarmos, adorá-Lo com nossas habilidades e dons, assim como compartilhar uma arte de excelência e influenciar a cultura do lugar onde vivemos, promovendo os valores do Reino de Deus.

A pergunta que você, músico, pode fazer é a seguinte: como ou onde posso glorificar a Deus com o talento que Ele me deu e permitiu que eu desenvolvesse?

Faço um convite para expandir os horizontes artísticos e, principalmente, mergulhar fundo no conhecimento de Deus e nos planos que Ele tem para os Seus. Nossa voz, instrumento e demais habilidades podem servir muitas vidas dentro e fora do ambiente eclesiástico.

Concluo, compartilhando um trecho de uma das músicas que cantamos na apresentação em Juatuba/MG – nada menos que a majestosa “Aleluia de Handel”: “O reino deste mundo já passou a ser de nosso Senhor e do Seu Cristo e Ele reinará para sempre – Aleluia” (Apocalipse 11:15)