O termo clichê normalmente vem carregado de sentimentos negativos. Quando se torna adjetivo, normalmente quer dizer algo repetitivo, que se tornou banal ou se gastou pelo uso constante somado à passagem de tempo.

Mas vamos nos atentar a algo importante que foi dito no parágrafo anterior: “gasto pelo uso constante”.

O Natal é uma época carregada de atitudes e atividades lindas e importantíssimas que, para alguns, se tornaram clichês. “Já ficou repetitivo”, “precisamos pensar em novas abordagens”, podem dizer, mesmo que o único motivo para a alteração seja uma subjetiva “necessidade de mudança”.

Assim, vamos analisar algumas das mais relevantes tradições desta época do ano e explicar o porquê é tão necessário que elas sejam preservadas. Para isso, devemos ter sempre em mente uma coisa: a lembrança do aniversariante.

No Natal, celebramos a Cristo

Independente da precisão histórica sobre o dia exato do nascimento de Jesus Cristo, o dia 25 de Dezembro é a data que retiramos no ano para celebrar a vinda ao mundo do nosso Salvador. O dia em que Ele se fez homem e, para nós, tudo mudou. 

Portanto, nesta época do ano, nós, cristãos, lembramos dessa chegada e de tudo o que ela representa, com símbolos, atividades e festividades que nos ajudem a registrar isso da melhor forma possível.

Natal é época de reunir a família

Não apenas no fim do ano, mas sempre que possível, esteja com a sua família. A comunhão familiar é bênção de Deus para os homens desde a criação da primeira delas, com Adão e Eva. 

Sim, é claro que podem haver problemas, inclusive alguns de grande magnitude (potencializados pelo pecado advindo da queda), mas o fato é que Deus se alegra com a união dos irmãos — de sangue ou não — (há um Salmo, o 133, dedicado a dizer isso) e é importante se dedicar a fazer com que isso ocorra múltiplas vezes no ano, principalmente no Natal.

Importante deixar claro que, como foi dito no parágrafo anterior, se não for possível reunir sua família de sangue por motivos como distância ou até por ausência de alguns que já se foram, dedique-se a passar um tempo com as pessoas que te acolheram, como amigos ou os irmãos da igreja. O importante é valorizar esse ambiente de comunhão.

Como promover a comunhão? Ao redor da mesa, é claro!

família orando na mesa no natal

Há uma brincadeira recorrente entre os cristãos que optaram pela abstemia que é dizer a frase “se crente não bebe, ao menos come que é uma beleza!”. Exageros e chistes à parte, o ponto aqui é que partilhar uma refeição é uma das formas favoritas de Jesus demonstrar a importância da comunhão.

Seja jantando com o famoso cobrador de impostos Zaqueu (Lc 19), seja no momento sublime da Santa Ceia (Mt 26), nosso Senhor deixa claro que este é um momento importantíssimo e deve ser valorizado. 

Vale reforçar que a importância da ceia não está na refeição que é servida, e sim no relacionamento que é estabelecido, nos laços que são reforçados, pelas pessoas que ali estão, estejam elas comendo um banquete ou um simples pedaço de pão.

Este é um momento poderoso, em que o partilhar do pão também pode carregar significados de cura, leveza e restauração das mazelas do último ano.

A prática do perdão 

Falando de cura e restauração, lembramos do trecho de Colossenses 3, no qual o apóstolo Paulo nos relembra da importância do perdão:

“Assim como o Senhor perdoou vocês, perdoem uns aos outros. E, acima de tudo, tenham amor, pois o amor une perfeitamente todas as coisas” (v.13-14)

Tema tão recorrente quanto subestimado na época do Natal, o perdão é um dos elementos centrais da Bíblia. Afinal, o próprio sacrifício de Jesus na cruz é o motivo pelo qual temos abertura para sermos perdoados por Deus de nossos pecados. 

Faz todo o sentido, portanto, que, ao lembrarmos de Cristo e de seu nascimento, lembremo-nos de que devemos perdoar 70 vezes sete (Mateus 18) a quem nos tem ofendido (Mateus 6).

É verdade que isso deveria ocorrer todos os dias, de todos os anos. Porém, como somos pecadores, acabamos deixando passar várias oportunidades de perdoar aos nossos ofensores. Assim, não é nada mal que sejamos ativamente lembrados de perdoar nossos irmãos uma época do ano.

Preocupe-se com o que Deus pensa 

Em conclusão, após demonstrar todos os argumentos anteriores, convidamos os irmãos a deixarem de lado as afirmações do inimigo que rotula tudo o que perpassa a época de Natal como clichês. 

Para nós, somente uma coisa importa (ou deveria importar): saber o que Deus está pensando a nosso respeito. E algo é certo: ao praticarmos o perdão, a comunhão e valorizar a família, estamos alguns passos mais próximos de alegrar o coração Dele.