DIA 1

O perfeito timing de Deus

A história de Moisés é fascinante. Ele nasceu no contexto de uma escravidão no Egito, e escapou de ser jogado no rio Nilo graças à sua mãe, Joquebede, e sua irmã, Miriã. Por temer o crescimento do povo de Israel, Faraó determinou que todos os meninos fossem lançados no rio.

Quando Moisés nasceu, a imaginação da sua mãe entrou em ação. Ela e Miriã prepararam um cesto feito de junco, colocaram o menino dentro e o deixaram no rio, perto do local onde a filha de Faraó costumava se banhar. A providência de Deus possibilitou que Moisés fosse adotado pela filha de Faraó e fosse entregue à própria mãe, Joquebede, para ser cuidado até a idade de 12 anos. A partir de então, Moisés passou a residir no palácio da princesa e recebeu toda a instrução e os ensinamentos da cultura egípcia.

O tempo foi passando, mas a consciência de pertencer ao povo de Israel continuou firme em sua mente e no seu coração. Quando ele estava com 40 anos, Moisés foi visitar seu povo e apartou dois hebreus que estavam brigando. No dia seguinte, ele encontrou um egípcio maltratando um hebreu e, enfurecido, matou o egípcio e o enterrou na areia. No outro dia descobriu que todos já sabiam o que ele havia feito. Temendo ser morto por Faraó, fugiu para o deserto de Midiã e se alojou na casa de Jetro. Ali, casou com uma de suas filhas e passou a cuidar das ovelhas do seu sogro. Isso durou 40 anos.

Quando ele já estava com 80 anos, eis que o Senhor lhe aparece numa sarça ardente e o convoca para ser o libertador do Seu povo. O cronômetro de Deus não falha. Quando Moisés tinha 40 anos, pensava que poderia libertar o povo de Israel da escravidão, mas eles não entenderam assim, conforme a palavra de Estevão diante do Sinédrio em Jerusalém, registrado por Lucas, em Atos dos Apóstolos (ATOS 7:25). Agora ele estava preparado para aquele grande empreendimento.

O que chama a atenção é o fato de o Senhor saber o timing certo para confiar uma tarefa a algum dos Seus servos. Foi o que aconteceu com o meu amigo de longa data, Manoel Crispim.

Eu estava na sede da Junta de Missões Nacionais/CBB, no Rio de Janeiro, quando ele entrou na minha sala com uma notícia surpreendente. Ele me disse: “Pastor Mitt, estou com 72 anos e acabo de sentir a chamada de Deus para servir no ministério”. Foi uma surpresa idêntica àquela que tive com a costureira, conforme relatei anteriormente. Ouvi atentamente tudo o que ele tinha a dizer e conclui que aquele chamado era genuíno. Oramos e entregamos o assunto ao Senhor, na certeza de que alguma porta se abriria.

Dias mais tarde, a Igreja Batista da Liberdade, em São Paulo, onde ele era membro, pediu sua consagração como pastor auxiliar e lhe confiou a tarefa de liderar o Ministério de Casais, o que realizou com muita eficiência.

Dez anos mais tarde, quando eu era pastor na Primeira Igreja Batista de Copacabana, o Pr. Manoel Crispim veio de São Paulo para participar do encontro da Fundação Wlasek Filho. Foi uma alegria encontrá-lo firme no Senhor e ainda cumprindo a tarefa que lhe tinha sido entregue.

Amigo leitor, não leve em consideração o número de anos que você tem. Pergunte, apenas, ao Senhor o que Ele quer de você. A surpresa pode ser o encaminhamento para um curso numa faculdade para a Terceira Idade. Nunca é tarde demais para aprender algo novo. Não se entregue à ociosidade. Faça algo para o Senhor. Siga as instruções que Ele lhe der. Permita que o bom perfume de Cristo seja sentido pelas pessoas, mesmo em sua idade avançada. Minha palavra final aqui é: Mãos à obra!

Mãos ao trabalho, crentes, Breve nos chega o fim;
Firmes, enquanto a morte Não tocar clarim!
Vamos, irmãos, à obra, Por Cristo trabalhar;
Eia que em vindo a noite, Vamos descansar!

DIA 2

A oportunidade perdida

Eu não gostaria de escrever este capítulo, mas a sua mensagem é muito importante para todos. Quando chegamos ao campo missionário, em Carolina, no Maranhão, ainda jovem, fui tomado por um forte desejo de falar de Cristo. Quando não conseguia falar, eu deixava um folheto evangelístico com a pessoa.

Um dia, entrei na loja do Sr. Edson Queiroz. Ele vendia roupas e tecidos. Nós nos simpatizamos mutuamente já no primeiro encontro. De vez em quando, eu voltava lá para um dedo de prosa, e a conversa sempre chegava ao Senhor Jesus. Quando a amizade já estava bem firme, achei que era o tempo de lhe fazer um convite para uma decisão por Cristo. Eu lhe apresentei o plano de salvação e fiz o apelo para ele se entregar a Jesus. Ele me disse: “Pr. Mitt, não posso fazer esta decisão, porque minha mãe, antes de morrer, me fez prometer que eu nunca seria um crente”. Naquele tempo, com uma religião tão enraizada na Virgem Maria, considerar a possibilidade de uma entrega a Cristo significava vir a ser um protestante.

Cerca de 20 anos mais tarde, quando eu era pastor na Primeira Igreja Batista de Copacabana, Marlene estava caminhando numa rua daquele bairro e viu um casal andando bem devagar. Chegou mais perto e percebeu que era o Sr. Edson Queiroz com sua esposa. Ela os saudou e disse: “Eu sou Marlene, esposa do pastor Samuel Mitt”. Ele disse: “Eu me lembro do Pr. Mitt, daquele dia quando ele me convidou para entregar a vida a Jesus, e eu não aceitei”. Ele havia sentido o bom perfume de Cristo através de mim e ainda se lembrava do dia quando teve a oportunidade de fazer a mais importante decisão da sua vida. Ele preferiu dar mais valor à sua mãe do que a Jesus.

É muito perigoso, em qualquer circunstância, oferecer resistência quando o Espírito Santo fala. A recomendação da Palavra de Deus é clara: “Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração…” (HEBREUS 3:7,8). O efeito da resistência à voz de Deus é a cauterização da consciência. Chega o momento quando a pessoa não mais consegue ouvir a voz de Deus por mais que Ele tente se comunicar.

Nosso filho João Marcos, quando estava com 12 anos, ganhou de presente da sua tia Gerda um despertador capaz de “ressuscitar um morto”! Ele precisava levantar cedo para ir ao colégio. Na primeira manhã, foi aquela beleza. Ao primeiro toque, ele saltou da cama. Os dias foram passando, mas, em vez de se levantar logo, preferia silenciar o despertador e ficar mais um pouco na cama.

Certa noite, eu estava para me deitar quando vi João Marcos abrir a porta e colocar o despertador no chão do nosso quarto. Eu o chamei e lhe perguntei o motivo. Ele respondeu: “O despertador toca e eu não escuto”. Ele queria que Marlene ouvisse o despertador e o acordasse. É assim que acontece quando nós ouvimos a voz de Deus e preferimos continuar na vida de pecado. Ele pode falar e, quem sabe, até gritar, mas nós não escutamos. Isso é tremendamente perigoso. Vale como advertência para nós o que aconteceu com Edson Queiroz e com João Marcos.

“Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim;
quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim;
e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim.”
MATEUS 10:37,38

DIA 3

Deus cuida de mim

O joão-de-barro é também chamado de forneiro, porque a casa que constrói para ali ter seu ninho tem uma aparência de forno. É o pássaro-símbolo da Argentina, assim como o canário é o pássaro-símbolo do Brasil.

É um pássaro muito inteligente, porque escolhe bem os locais onde vai construir sua casa. Geralmente a entrada está voltada para o nascente do sol e assim pode receber os seus raios na parte da manhã. O formato da casa impede que os gaviões, tucanos e outras aves de rapina consigam alcançar os filhotes.

Vale a pena a gente investir tempo observando o joão-de-barro na construção da sua casa. O barro precisa estar suficientemente mole para ser usado. Com que paciência as paredes são levantadas e o teto acaba cobrindo tudo!

Deus nos deu uma lição através de um joão-de-barro que resolveu construir sua casa no galho de um pinheiro que pode ser visto da sacada do nosso apartamento. Se o joão-de-barro é um pássaro inteligente, aquele, a meu ver, era insensato, porque escolheu mal o galho para ali instalar a sua casa.

Como se sabe, à medida que o pinheiro cresce, os galhos na parte de baixo vão ficando fracos e com o tempo acabam caindo. Pois foi exatamente no galho da parte de baixo, que o joão-de-barro resolveu construir sua casa. Vindo um temporal, aquele galho seria um dos primeiros a cair.

Não foi o que aconteceu. A tempestade chegou e houve um “milagre”. O galho onde estava o ninho partiu a um metro do tronco, deixando a casa do joão-de- -barro intacta como prova de que Deus cuida dos pássaros. “Se Ele cuida das aves”, assim como diz o hino, “cuidará de mim também”.

Jesus, no seu belo Sermão do Monte, nos convida a observar os pássaros. São dele estas palavras: “Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai Celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves?” (MATEUS 6:26). Essa palavra não é um convite para uma vida ociosa, mas é uma chamada para depositarmos nossa confiança na providência de Deus.

Mais adiante, no sermão, Jesus continua dizendo: “Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos?”; e arremata dizendo: “Pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (MATEUS 6:31-33). O apóstolo Paulo faz um dueto com Jesus ao dizer: “Não andeis ansiosos de coisa alguma…” (FILIPENSES 4:6).

Quando, pela graça de Deus, conseguimos chegar à Terceira Idade, nossa mente começa a ser tomada por uma série de preocupações com a saúde, as limitações financeiras, os filhos, os netos e mil coisas mais. Aquele galho de pinheiro partido e a casa do joão-de-barro a salvo são um convite para descansarmos naquele que prometeu estar conosco até o fim, porque assim Ele falou: “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (HEBREUS 13:5). O salmista acrescenta: “Confia os teus cuidados ao Senhor, e ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado” (SALMO 55:22).

“Assim, afirmemos confiantemente:
O Senhor é o meu auxílio, não temerei;
que me poderá fazer o homem?”
HEBREUS 13:6