Editorial

Sofrimento na África. A culpa é de quem?

Por Méltsia Mendonça

De Deus, que nos pede para cui­dar do nosso próximo como a nós mesmos (Marcos 12.31)? Ou nossa, homens, a quem foi confiada a responsabilidade de cuidar do nosso pla­neta (Gênesis 2.15), nossa casa e nossos irmãos? Reflita!

A África é o terceiro Continente mais extenso (atrás da Ásia e da América) com cerca de 30 milhões de quilômetros quadrados, cobrindo 20,3 % da área total da terra firme do planeta. É o segundo Continente mais populoso da Terra (atrás da Ásia) com cerca de 900 milhões de pessoas, representando cerca de um sé­timo da população do mundo, e 53 paí­ses independentes; apesar de existirem colônias pertencentes a países de outros Continentes, tais como as Ilhas Canárias e os enclaves de Ceuta e Melilla, que per­tencem à Espanha, o território ultramari­no das ilhas de Santa Helena, Ascensão e Tristão da Cunha, que pertence ao Reino Unido, e as ilhas de Reunião e Mayotte, que pertencem à França.

SITUAÇÃO SOCIAL

Apresenta grande diversidade étnica, cultural e política. Nesse Continente são visíveis as condições de pobreza, sendo o Continente africano o mais pobre de todos; dos trinta países mais pobres do mundo (com mais problemas de subnu­trição, analfabetismo, baixa expectativa de vida etc.), pelo menos 21 são africa­nos. Apesar disso, existem alguns poucos países com um padrão de vida razoável, ainda assim não existe nenhum país re­almente desenvolvido na África. O subde­senvolvimento, os conflitos entre povos e as enormes desigualdades sociais inter­nas são o resultado das grandes modifi­cações introduzidas pelos colonizadores europeus. Atualmente, os países africanos mais desenvolvidos são Líbia, Maurícia e Seicheles, com qualidades de vida supe­riores a de muitos países da Europa. Ainda há outros países africanos com qualidades de vida e índices de desenvolvimento ra­zoáveis, podendo destacar a maior econo­mia africana, a África do Sul e outros paí­ses como Marrocos, Argélia, Tunísia, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

REGIONALIZAÇÃO DA ÁFRICA

A África costuma ser regionalizada de duas formas: a primeira forma, que valo­riza a localização dos países e os dividem em cinco grupos, que são a África seten­trional ou do Norte, a África Ocidental, a África central, a África Oriental e a Áfri­ca meridional. A segunda regionalização desse Continente, que vem sendo muito utilizada, usa critérios étnicos e culturais (religião e etnias predominantes em cada região), é dividida em dois grandes gru­pos: a África Branca ou setentrional, for­mada pelos oito países da África do norte, mais a Mauritânia e o Saara Ocidental, e a África Negra ou subsaariana, formada pe­los outros 44 países do Continente. Cinco dos países de África foram colônias portu­guesas e usam o português como língua oficial: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe; em Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe são ainda falados crioulos de base portuguesa.

Em correspondência com os diferentes ramos étnico-culturais, encontram-se na África três religiões principais: o islamis­mo, que se manifesta, sobretudo na Áfri­ca Branca, mas é também professado por numerosos povos negros; o cristianismo, religião levada por missionários e profes­sada em pontos esparsos do Continente; e o animismo, seguido em toda a África Negra. Esta última corrente religiosa, na verdade, abrange grande número de sei­tas politeístas, que possuem em comum a crença na força e na influência dos ele­mentos da natureza sobre o destino dos homens.

PERSEGUIÇÃO AOS CRISTÃOS

Apesar de ser considerado um conti­nente onde todas as religiões são tole­radas, a perseguição a cristãos é grande. Desde 2014, ataques violentos islâmicos já ocorreram em 17 nações africanas. Na Nigéria, cerca de 2,5 milhões de pesso­as tiveram que fugir da violência do Boko Haram. Em Janeiro de 2015, 80% das igrejas do Níger foram atacadas ou quei­madas. Na Argélia, a evangelização cristã pode ser punida com cinco anos de prisão.

Além disso, a liberdade religiosa tam­bém faz com que falsos profetas se le­vantem, aproveitando-se da grande ne­cessidade espiritual do povo sofrido e, muitas vezes, sem esperança.

Na Santíssima Igreja de Jesus Cristo de Baname, em Benin, África, milhares de fi­éis se reúnem para adorar a Deus. Porém, para eles a divindade está encarnada em uma mulher de 25 anos, que promete acabar com o reinado do diabo na ter­ra. Vicentia Tadagbe Tchranvoukinni, que chama a si mesmo de “Perfeita” e “Es­pírito Santo de Deus”, promete expulsar os demônios que dominam o país, numa referência ao vodu, religião mais pratica­da no país.

A ÁFRICA PRECISA DE DEUS

Os problemas de África não podem ser resolvidos somente com ajudas finan­ceiras. Os Africanos precisam conhecer a Deus.

De acordo com Matthew Parris, um jor­nalista ateu, ex-membro conservador do parlamento Britânico e ex-político, “a re­ligião oferece mudança aos corações e às mentes das pessoas – algo que a ajuda não pode fazer. Sendo agora um ateu con­firmado, tornei-me convicto da enorme contribuição que o evangelismo Cristão faz na África: bastante distinta do traba­lho das ONGs seculares, projetos governa­mentais e esforços de ajuda internacional. Estes, por si só, não serão suficientes. A educação e treinamento, por si só, não serão suficientes. Na África, o Cristianismo muda o coração das pessoas. Ele produz uma transformação espiritual. O renasci­mento é real. A mudança é boa”, declara o jornalista que nasceu em Joanesburgo, África do Sul, mas agora vive na Inglaterra.

Parris afirma ainda que o Cristianismo ajuda a libertar os Africanos da mentalida­de comunal e supersticiosa que reprime a individualidade e critica a “mentalidade rural tradicional” por alimentar “‘manda­chuvas” e “gângsteres políticos” em cida­des Africanas que ensinam “um respeito exagerado” por um “líder presunçoso” que não deixa espaço para a oposição.

Mas o Cristianismo – pós-reforma e pós-Lutero – ensina uma “relação direta, pessoal e nos dois sentidos entre o indi­víduo e Deus”, que elimina a mediação pelo grupo, ou qualquer outro ser huma­no. Ele oferece uma organização de vida social para aqueles que querem “abando­nar uma mentalidade tribal asfixiante”. “É por isso e assim que ele liberta”, finaliza Parris.

Com tudo isso, concluímos que para a África sair da situação de miséria, fome e desesperança em que vive, não deve pensar apenas que os bens materiais são tudo o quanto precisa para o desenvolvi­mento e mudança. Todo um sistema de crenças tem primeiro de ser suplantado, e o verdadeiro Evangelho de Cristo precisa ser apresentado de forma eficaz, simples e constante.

Para se tornar uma nação forte, vito­riosa e livre, a África precisa conhecer o Verdadeiro, Soberano, Vivo e Único Deus.