Entrevista – Léo Maia

O romance de Léo Maia com a música começou cedo, bem cedo mesmo. Talvez antes mesmo de 1976, ano do seu nascimento. É que a música está na alma de Léo, uma herança do pai Tim Maia. Aliás, foi Tim que iniciou Léo no violão, quando o menino tinha sete anos. Não demorou muito para que ele tirasse os primeiros acordes de “Sossego”.

Léo Maia dormiu ao som da Banda Vitória Régia, conviveu com músicos como Jorge Ben, Robertinho Silva e Paulinho Black e acordou com toda a inspiração do mundo. Com o tempo, foi traçando o seu próprio caminho artístico.

Em 2005, Léo lançou o seu primeiro disco com oito canções próprias, além de cinco covers. O repertório mostra que Léo veio para não deixar ninguém ficar parado. O trabalhou foi muito bem aceito e causou uma boa repercussão na mídia.

Cidadão do Bem (2008) foi o segundo álbum do cantor. No repertório, muita Black Music, Rock e Soul em oito canções autorais e regravações de Caetano, Raul e Tim. Sopro do Dragão foi o terceiro álbum. Mais um sucesso que rendeu grandes shows para Léo.

O menino cresceu e sua música ficou mais madura e cativante. O sucesso no secular é garantido pelo talento, carisma e amizades construídas ao longo da jornada de tantos anos em que esteve envolvido com a nata da música brasileira. Mas, no meio dessa caminhada, Léo Maia teve um encontro que mudou a direção de sua vida. O talento continua o mesmo. O amor pela música herdado do pai também. Porém, os princípios, sonhos e objetivos com a música tomaram outra dimensão.

Em uma conversa descontraída, Léo Maia falou sobre sua conversão, sua chegada ao mundo artístico gospel e sua maior conquista: estar na lista de Deus.

Revista Cristã: Fale sobre seu encontro com Deus.

Léo Maia: Minha conversão foi num momento muito complicado da minha vida. Eu estava muito triste, muito mal, fazendo muita besteira, estava muito louco. Em uma velocidade em que não tinha mais controle de mim. Me lembro que nesse período eu estava tão mal e mal com todo mundo, que no meu aniversário nem a minha mãe lembrou de mim nesse ano. Eu entrei na igreja e fiquei na última fila, da última cadeira da Igreja Renascer, isso há cinco anos e foi aonde eu me batizei e aceitei Jesus como meu salvador. Enfim, foi uma luta muito grande, foram muitos altos e baixos, mas é assim mesmo. Deus vai trabalhando devagarzinho e quando você vai ver já era. Você já se rendeu.

RC: Ser o filho do Tim Maia interfere em sua carreira?

Léo Maia: Esse lance de ser filho do Tim Maia, primeiro eu sou filho de Deus, meu pai é só um ser humano, um trabalhador de música como eu. Eu sou um cara que graças a Deus tem uma carreira muito consolidada. Estou fazendo três shows que são um sucesso, um com o Simoninha e com o Jair Oliveira, chamado filho dos caras, onde a gente presta uma homenagem ao meu pai, o Tim Maia, ao pai do Simoninha, o Wilson Simonal e ao pai do Jair Oliveira, o Jair Rodrigues. Eu queria dar um presente para Deus e para as pessoas que fizeram tanto por mim. Seu eu fosse ferreiro, eu faria uma obra de arte em aço, muito valiosa e ofertaria, mas como sou cantor, estou tentando passar um pouquinho do que eu aprendi com Deus nessa caminhada para as pessoas que são como eu, que estavam como eu, que se perderam no mundo das drogas como eu. Enfim, que de repente é mais maluca, diferente, que leva um Evangelho mais libertário, que chega mais rápido até as pessoas. Música para mim é um sacerdócio. Antes eu defendia a música e a minha dignidade. Agora eu defendo Deus, a minha dignidade e a música. Em dignidade eu coloco a família e tudo que há de mais valoroso. Mas é isso. Eu não sei como o mundo gospel me verá, mas eu faço sucesso no mundo secular, toco com grandes artistas, participo das coisas relevantes da música brasileira, graças a Deus. Recentemente, cantei nos 50 anos de Milton Nascimento. Não gostaria de ter que renegar minha história, a cultura musical da minha família. Espero que o mundo gospel não faça disso um campo de batalha. Isso me deixaria muito triste. Não quero ter que escolher entre Deus, a música e o povo, pois acho que está todo mundo junto. Eu acho que renegar grandes artistas que querem trabalhar para Deus é algo pouco inteligente, porque o diabo aceita todo mundo nas empresas dele. Se você ligar as três, quatro horas da manhã, o traficante vai te atender e é pronta entrega, tipo delivery, não vai ter problema. Por isso acho que todo mundo que quiser louvar e fazer algo para Deus deveria fazer sem medo. E se for pra ser, vai ser da vontade de Deus, porque não é o povo que decide, é Deus que manda. Então, se Deus mandar, que o povo escute, compre, assista, curta, dance, celebre porque foi Deus que mandou, eu não sou ninguém. E posso dizer que esse disco que eu fiz nem é meu, foi me dado pelo Espírito Santo. Eu não conseguia dormir, ficava incomodado dias e dias para fazer uma música, foi algo quase enlouquecedor. Eu passei quatro meses gravando 12 horas por dia para que esse disco ficasse como ele soava na minha cabeça. Mas me deu muito prazer. Foi o melhor disco da minha vida. Louvar a Deus foi algo que me fez compor melhor, cantar melhor, arranjar melhor, tudo foi feito com excelência.

RC: Como estão os preparativos para o lançamento do Disco?

Léo Maia: Estamos promovendo calmamente, mostrando às pessoas, fechando contratos, tirando fotos, preparando vídeo clipe, capa, mas tudo na velocidade de Deus, ou seja, a jato. Eu gravei um disco para dar de presente pra vocês, para o mundo, queria deixar um registro meu. Eu acho tão bonito, por exemplo, o Stevie Wonder, que é um dos maiores cantores do mundo pra mim. Eu sou apaixonado pelo trabalho dele e ele é pastor. Ele tem a igreja dele e tem os louvores dele e é respeitado pra caramba. Eu quero seguir essa linha dele, quero ser pastor, se der, louvar quando Deus mandar, trabalhar pra Ele. Eu trabalho com música desde os sete anos de idade e não tem como fazer outra coisa na minha vida. E acho que nem Deus quer que eu faça outra cosa. É isso, eu não sou nada, não sou ninguém, o que Deus mandar a gente faz, pois a gente está aqui é para obedecer. Se o mundo gospel curtir meu trabalho e achar que eu sou merecedor, eu vou trabalhar com todo coração e carinho, vou fazer de tudo pra honrar esse presente que Deus está me dando e celebrar com vocês. A única coisa que eu quero é curtir, celebrar a Deus, a minha libertação, a minha vida, o amor e o carinho que agora eu tenho e que todos têm por mim, o respeito que agora eu tenho e que todos têm por mim, que eu havia perdido e que Deus me devolveu. O resto pra mim não fazia sentido, dinheiro fama, tudo isso é coisa de otário. Fama mesmo é estar na lista secreta de Deus. Aquele último nome da fila, é isso que eu quero. Fiquem com Deus e muito obrigado pela oportunidade de falar um pouquinho de tudo que eu sinto.

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