Entrevista com Nelson Júnior

Esperar por alguém demanda tempo. “E quem disse que temos todo esse tempo?”, perguntam. Porque esperar?

A sociedade pós-moderna tem como característica principal a fluidez. Tudo é muito líquido, indeterminado, escapa pelas mãos. É mais importante estar do que ser. Estar satisfeito no agora é melhor – e mais fácil – do que ser feliz por toda a vida, mesmo com os sacrifícios necessários. Há uma inversão de prioridades, um atropelamento na ordem das coisas.

Os apelos sexuais têm crescido de forma assustadora. Quanto menos – roupa, tempo, escolhas, decisões, compromisso – melhor. É anunciado que sair “ficando não tem consequências ou sofrimento”. Mas lá no fundo, sabemos que não é bem assim. Um relacionamento atrás de outro, na tentativa vã de não sentir nada, o medo e o orgulho mascaram a verdade.

A procura por alguém é superficial. Buscam pessoas que preencham requisitos banais e físicos, na tentativa de serem “felizes” por alguns instantes. Ignoram características e sonhos valiosos. Colocam em grande estima a atração física, e não levam em consideração os aspectos emocionais, intelectuais e os espirituais. A grande desculpa é o tempo. Ou melhor, a falta dele. Esperar por alguém demanda tempo. “E quem disse que temos todo esse tempo?”, perguntam. Porque esperar?

Mas Nelson Junior, coordenador e idealizador da campanha Eu Escolhi Esperar, tem ensinado que esperar é a melhor opção para quem deseja ser feliz de verdade em um relacionamento.

Nelson é casado com Ângela Cristina, pai de Ana Carolina e Milena. É pastor desde 1998, formado em Teologia pelo IBAD, é da Igreja em Vitória e membro da Associação de Pastores Evangélicos de Vila Velha. Trabalha com jovens e adolescentes há pouco mais de 20 anos.

Em uma entrevista à Revista Cristã, Nelson nos falou sobre essa campanha que tem ajudado a fortalecer aqueles que escolheram se preservar sexualmente até o casamento e disseminar os princípios eternos nas áreas afetiva e sexual.Revista Cristã: fale-nos sobre o Eu Escolhi Esperar?

Nelson Júnior: Eu Escolhi Esperar? Costumo dizer que em resumo seria a história da minha própria vida. Ainda na minha adolescência, tomei a decisão de esperar até o casamento para ter minhas experiências sexuais. Porém, não imaginava que seria uma escolha fácil, os apelos e pressões para a relação sexual precoce são muito fortes. E numa sociedade erotizada como a nossa, convenhamos, uma decisão dessas beira quase a um absurdo. Desde 1991 venho trabalhando com adolescentes e jovens. E desde então venho percebendo que as lutas de hoje, são as mesmas de antigamente. Em 2011decidi criar uma campanha para ajudar todos àqueles que participavam de minhas palestras e das sessões de aconselhamento cristão.

RC: Do que se trata a campanha?

Nelson Júnior: Somos uma campanha com dois temas: preservação sexual e integridade emocional. Sobre a preservação encorajamos, fortalecemos e damos apoio às pessoas que escolheram voluntariamente e não por uma imposição, viverem suas experiências sexuais somente dentro do casamento, ou seja, sexo só depois de casados. E a outra plataforma da mensagem é a integridade emocional, onde combatemos a cultura do descartável, ou seja, relacionamentos momentâneos são nocivos. Acreditamos muito na importância de se viver relacionamentos mais saudáveis e duradouros. Sabemos que andamos totalmente na contramão de todo conceito humanista e pós-moderno.

RC: Qual o objetivo da ONG?

Nelson Júnior: Na verdade a ONG nada mais é que a entidade criada para viabilizar, gerenciar e organizar a Campanha. Precisávamos ter parceiros, conta bancária, prestação de contas, contratar pessoas, alugar imóveis, adquirir bens para promover o projeto. Digamos que é apenas para cumprir com as obrigações legais. Atualmente a ONG tem oito funcionários em tempo integral, sede própria, veículos, produtos, loja virtual, contratos com empresas terceirizadas. Toda essa estrutura é para que possamos manter o projeto em pleno funcionamento.

RC: Com a divulgação em redes sociais e o aparecimento de artistas que aderiram à campanha, muito se tem falado sobre a decisão de esperar até o casamento para ter relações sexuais. Como você vê a adesão desses jovens?

Nelson Júnior: Vemos que uma campanha como a nossa acaba sendo de certa maneira, uma resposta ou uma terceira via. Há uma falsa ideia de liberdade em nossos dias. Liberdade sem responsabilidade não é liberdade. Ser livre, não é sair por ai fazendo tudo aquilo que se tem vontade. O nome disso é libertinagem, beira a leviandade. Liberdade é o poder de dizer não para tudo aquilo que te faz mal. Ser livre é mesmo todo mundo fazendo algo, você não se sentir obrigado a fazer também.

RC: Antigamente casar virgem era algo natural, hoje causa certo “espanto” na nova geração. Em sua opinião o que mudou?

Nelson Júnior: Valores. A (falsa) liberdade sexual dos últimos 40 anos tem provocado consequências graves que só não enxerga quem não quer. Algumas delas: alto índice de gravides na adolescência, alto índice de divorcio e consequentemente um desajuste familiar impressionante que gerações passadas não conheceram. Outro exemplo são as doenças sexualmente transmissíveis. Quais as chances de uma pessoa como eu e minha esposa contrair doenças sexuais, sendo que fomos os únicos parceiros sexuais nos últimos 20 anos de casados? Se nos mantivermos fieis um ao outro, permaneceremos livres destes males pelo resto de nossas vidas. Esta é uma das muitas evidencias de que um parceiro para toda vida é uma dádiva

RC: Você vê a campanha como uma forma de não banalizar o sexo livre?

Nelson Júnior: Sim. Não tenho duvidas.

RC: Em sua opinião, a campanha vai além da religião?

Nelson Júnior: A nossa campanha sim. Tentamos tirar o discurso religioso ou qualquer tipo de imposição. Nossas palestras e livros visam tentar ajudar as pessoas a medirem a importância de uma escolha como essas e quais as implicações e consequências que nossas decisões trazem para toda uma vida.

 

 

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